quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006

DOZE DE NOVEMBRO

Entraste em minha casa ainda com certeza

de haver luz em Novembro. Mas doze eram

os dias, se te lembras, mulher, desse mês

incandescente. Deste‑me logo o braço para a dança

das palavras: castanhas docemente assadas e muita

água‑pé. (Estava, quando vieste, à espera do ouro

dos versos.) Pois não tremeste perante a juba negra

de um leão quase jovem, de partida para o Inverno.

Dos livros que cedo li tiraste‑lhes o peso do pó

sábio. E se agora escrevo no Verão, meu amor,

só tu sabes porquê. (Deixa‑me dizê‑lo a toda a gente.)

Eurico de Carvalho/17.06.05

Poema publicado em Fevereiro de 2006 no jornal «O Tecto» de Vila do Conde

(Ano XVIII: N.º 52). Cf. página 10.

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1 Leituras da Montr@:

Blogger José Miguel de Oliveira disse...

A poesia é: a pátria da verdade do ser para Heidegger... a verdade como metáfora para Nietzsche...
ou
a mimésis e eikasia sensível e corrupta de um arquétipo ideal para Platão...
diria eu depois de Platão, de Nietzsche e de Heidegger que a poesia é a sinfonia inteligível do poema originada pela sensibilidade universal do poeta.
Ao colega "amante da sabedoria" parabenizo pela senbilidade poética bem patente neste poema.

1:26 da manhã  

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