quarta-feira, 3 de março de 2010

UMA VELHA TRADUÇÃO JUVENIL DE UM POEMA DE BORGES


ESPINOSA

Translúcidas, as mãos de um judeu
os cristais cinzelam sob a penumbra,
e há medo e frio na tarde que morre.
(As tardes às tardes se assemelham.)
As mãos e o tamanho do jacinto,
que nos confins do Ghetto empalidece,
quase não são para o homem manso
que em sonhos vê um claro labirinto.
Não o altera a fama, esse reflexo
dos sonhos no sonho de outro espelho,
nem o receoso amor das donzelas.
Da metáfora liberto e do mito,
lavra um cristal difícil: o infinito
mapa de Quem suplanta as suas estrelas.

Tradução de Eurico de Carvalho

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