sexta-feira, 3 de agosto de 2007

AMAR


Não sei, amor, amor que não amar,

nem vinho que em mim não seja ceia.

Bebê‑lo é termos lenha que se ateia,

quando a Lua encontra o seu lugar.


Amar, amor, é ser maior, amigo

de quem colhe em nós o nosso alor.

(Sabê‑lo‑ei colher eu, que o digo,

se além destas palavras não for?)


Não sei amar, amor, senão por ti,

mas sempre, mulher, confesso!, menti

por haver outra a seguir ao beijo.


Não sei, se não te amo, amor, amar‑te

por ser por mor de mim o meu enfarte.

Amar, amor, era amar sem desejo!


Eurico de Carvalho

In «O Tecto»,

Ano XVIII, n.º 56,

Julho/2007, pág. 13.

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