quinta-feira, 29 de novembro de 2007

LENÇOL DE VINHO


Era a primeira flor de todas as madrugadas. Tintas de eternidade

coloriam‑lhe a virgem face d’além-dor. Quisera o mar doar

à Lua lençóis de vinho! Mil colónias de vaga-lumes

mimavam o dia diante a noite, doidejando esta à janela

dos amantes. E depois, seus dedos (dez vezes dois!),

semelhando odaliscas do Oriente, dançavam vertiginosamente

em todos os círculos da casa: lousa imensa de real canto


mundo e tela animal do mais completo espanto.


Eurico de Carvalho

In «O Tecto»,

Ano XVIII, n.º 57,

Julho/2007, pág. 3.

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1 Leituras da Montr@:

Blogger Eliane Alcântara. disse...

Eurico, Eurico...
Tinha saudades de estar aqui.
De deliciar-me com os seus textos,
poemas que sem esforço transportam
olhos e sonhos para uma realidade duradoura.
Obrigada pelo convite, agora a senha está bem segura : )
Beijinhos e um início de semana cheio
de inspiração.

12:20 da tarde  

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