quarta-feira, 8 de março de 2006

SONETO [II]

ELA


«E se soltasses os cabelos?» — Ela

olhou‑me electricamente — e fê‑lo:

foi como se um gato de negro pêlo,

galante, se enroscasse p’la janela


da blusa. — E das luas o novelo,

já com rijas rosas cor de canela,

logo quis do amor ser sentinela

(sem decote que pudesse detê‑lo…).


Quando ela, dócil, roendo a maçã,

mostrando os dentes de um cruel marfim,

desafia a beleza em pleno divã…


— Juro ser marujo de um mar sem fim!

E eis que ela se inclina: solta o soutien,

graça mor que olhos meus… Baixei‑os, sim!


Eurico de Carvalho

Soneto publicado em Abril de 2002

no jornal «O Tecto» de Vila do Conde

(Ano XIV: N.º 36).

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