segunda-feira, 3 de abril de 2006

SONETO [III]

WISHFULNESS


Se eu pudesse um dia olhar‑te

como quem olha p’ra uma irmã

(e minha fosses sem ânsia malsã)

— nada de mais diria: apenas arte.


Quisera dar‑te amor de amigo,

um vinho maior, porque sem mistura.

Mas não! Sou pequeno e não consigo

quebrar em mim o desejo que dura.


Devo‑lhe o preço de seres mulher.

Pagá‑lo‑ei, no entanto, quando puder

ou for de outrem, por fim, a alegria


que eu tenho por ter‑te no meu canto.

És a Lua com a qual o Sol espanto

— e assim as noites se fazem dia!


Eurico de Carvalho

Soneto publicado em Maio de 2000

no jornal «O Tecto» de Vila do Conde

(Ano XII: N.º 27). Cf. página 6.

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