terça-feira, 27 de outubro de 2009

O ÚLTIMO POETA






Pássaros de aluguer rearrumam
as botas do poeta; este, desalinhado,
em roupão moral durante férias,
arquitecto de lareira acesa (disso
não se esquece) aquece
ao céu e à varanda de sua casa
excrementos de abutrezito. Que enquanto está azo
dá a que o poema termine a desapertar
a braguilha. Não sem acaso, acontece
o jardim à frente estar.




Eurico de Carvalho
In «O Tecto»,

Ano X, n.º 63,

Abril/2009, pág. 4.


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