quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

CONFERÊNCIA DE 10 DE DEZEMBRO DE 2013



«ESTÉTICA, POLÍTICA E ARTES —Seminário Aberto de Investigação (2013)».  — No âmbito deste encontro, pronunciei, na passada terça‑feira, pelas 17h30, na Sala de Reuniões da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, a comunicação que se segue: Guy Debord e Althusser: Um Diálogo Impossível (Em Torno da Questão da Subjetivação).
Para os leitores desta Montr@, aqui fica o resumo da minha intervenção:

Como é que um indivíduo se torna sujeito? Como é que ele subjetiva o ser que lhe é próprio? Há quem veja nesta pergunta, a da subjetivação, a questão, por excelência, da filosofia marxiana. Ademais, devemos a Althusser, segundo Slavoj Žižek, a melhor formulação deste problema, ao qual, por outro lado, também responde, apelando para o modelo ideológico da interpelação. Aqui, contudo, mais do que a resposta althusseriana, interessa‑nos avaliar o modo como Debord, ainda que não se interrogue explicitamente sobre a matéria, se distancia, de facto, desse paradigma estruturalista. É, pois, o contraste entre as duas posições o que convém realçar, de molde a fazer sobressair a particularidade da estratégia debordiana de subjetivação.
Quando comparamos os modelos debordiano e althusseriano de subjetivação, verifica-se imediatamente que o segundo, ao invés do primeiro, pressupõe uma hierarquia (em última instância: um senhor e um escravo). É por isso que se torna fácil de compreender, neste nível de análise, o privilégio que Althusser atribui à ilustração cristã do funcionamento do mecanismo ideológico. Parece até que a encarnação exemplar da subjetivação, à luz da hipótese de uma «culpabilidade originária», coincide integralmente com a atitude religiosa. Além de ser hierárquica, a interpelação revela uma estrutura especular, que é própria, para Althusser, de toda a ideologia.
À performatividade mecânica da interpelação ideológica, que convida à resignação, opõe-se, em Debord, a perspetiva revolucionária de uma comunicação total e transparente, i.e., que seja uma «conspiração entre iguais». Mas trata-se de uma comunicação poética, que pretende fazer da Revolução uma questão de estilo.


Eurico Carvalho


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